ABELHAS NA CISTERNA
O zumbido começou dentro do pilão, baixo demais para acordar Luzia. Antônio inclinou a madeira e viu três abelhas pequenas subindo pela rachadura, cobertas de farinha até as asas. Outras saíram depois, onze segundo a menina, que despertara e contava deitada, acrescentando duas sempre que ele chegava perto do fim. São nove, disse Antônio. Onze ficam mais tempo. Ele afastou a tigela da fornalha. A massa já criara uma película opaca, e a quinta porção permanecia sob a tampa de barro. Ilva abriu a janela para dar passagem às abelhas. Elas ignoraram a luz, pousaram na borda úmida da massa e começaram a retirar grãos, uma por uma. O homem riu junto à divisória. Foi um som curto, enferrujado pelo desuso. Antônio tentou soprá-las. O enxame respondeu saindo da rachadura em quantidade suficiente para cobrir o fundo do pilão. Luzia corrigiu a contagem para trinta e sete. Ninguém corrigiu Luzia. Antes da cava, Nael guardava aquele pilão no depósito do bar, onde as abelhas entravam pelas telhas e faziam casa nos tacos de futebol. Antônio lembrava o mel escorrendo no chão depois das partidas, misturado à terra vermelha dos calcanhares. Agora o terreno era uma faixa compactada por veículos da lavra, o capim terminava vários metros antes do muro e as árvores floriam por menos dias. As abelhas tinham descido para a cozinha atrás da umidade presa na madeira. Uma delas mergulhou na massa. Outra entrou sob a tampa. Antônio ergueu o barro e encontrou cinco sobre a porção reservada. Levou a panela para o alpendre, mas o enxame acompanhou o cheiro do milho. Ilva trouxe a esteira. O homem arrastou a caixa cinzenta com a perna boa para liberar passagem, e os quatro refizeram a refeição sob o murici, longe do rotor que refrigerava a carga técnica enquanto o calor apertava a roupa contra seus corpos. As abelhas continuaram chegando. Luzia ofereceu uma raspagem de massa numa folha. Elas cobriram o milho e levantaram juntas, pesadas. Voaram até a cisterna vazia, entraram pela fresta da tampa e sumiram no escuro. Vão fazer mingau lá embaixo, disse ela. Com água de quê, perguntou o homem. De contar errado. Antônio riu sem querer. Dividiu a porção invadida em pedaços menores e deixou um deles perto da fresta. O restante voltou à panela. Comeram com os dedos, porque a colher permanecia esquecida no balcão. A massa tinha gosto de fumaça e casca. Luzia mastigou devagar para prolongar a sombra. Quando terminaram, Antônio pediu o coletor. Ilva permaneceu sentada. O pedido pelos dois ensaios restantes já estava disponível havia menos de quarenta minutos, e bastaria sua autenticação para obrigá-la a entregar ou eliminar os arquivos. Ele olhou as abelhas entrando na cisterna com migalhas retiradas da comida. Quero o terceiro, disse. Só ouvir, perguntou ela. Quero solicitar. Depois decido. Ela não buscou o aparelho. A mão enfaixada ficou sobre o joelho. Antônio separou para ela o último pedaço de massa, menor que os outros, e repetiu o pedido. Ilva recolheu a porção e a segurou entre os dedos. Uma abelha saiu da cisterna sem farinha e pousou na faixa de Ilva. Ela esperou que voasse.
Depois entrou na casa e abriu o volume baixo. O pilão permaneceu no alpendre. Dentro da rachadura, o enxame assentava cera nova, tornando inutilizável a madeira que ainda guardava o milho de Nael. Antônio observou o movimento e adiou a escuta até a noite. Quando o sol recuou, havia uma linha de abelhas entre a cisterna seca e a cozinha, e ninguém sabia qual das duas elas escolheriam ocupar.
Energia e água
| Geração | 57.676 tokens em 4 chamadas ao modelo | medido |
|---|---|---|
| Água | ~115 ml na geração, 2 ml por mil tokens | estimado |
| Vídeo | 108 Wh só na placa de vídeo (3090) | medido na GPU |
| Tradução | 49.254 tokens na versão em inglês, Claude (Anthropic), automática | medido |
| Impressão | impressão, máquina e papel entram quando a página sair da impressora |