A TAMPA DE BARRO
Às quatro da tarde, a sombra do alpendre já tinha recuado até o banco baixo. Antônio abriu o compartimento sob o balcão e tirou de lá o pilão de madeira que ficara anos sem uso, rachado na borda, escurecido pelo milho moído antes da linha de preparo entrar na casa. Ilva trouxe um punhado de grãos secos num recipiente pequeno. Luzia dormia perto da entrada, com uma das mãos fechada sobre a própria trança. Do corredor vinha a respiração curta de quem sustentava a carga técnica atrás da placa do armário. Antônio despejou o milho no fundo do pilão. Esse era do Nael, disse ela. Era da mãe dele. Nael só roubava dele quando vinha perder aposta no bar. A mão de Antônio desceu uma vez. Depois outra. O som da madeira contra o milho ocupou a cozinha bloqueada, cobrindo o giro regular do rotor. Ilva separou os pedaços maiores com a ponta dos dedos enfaixados. A farinha saiu grossa, com cascas, boa o bastante para a fornalha. Quando eu comprei o primeiro refrigerador, Nael trouxe o dinheiro dentro de uma sacola de ração, disse Antônio. Ilva levantou os olhos. Ele tinha guiado a escavadeira até o Lajes. Pagaram por metro de chão aberto. Ficou três noites escondendo aquilo aqui embaixo. O pilão recebeu mais grãos. Antônio moía devagar, parando antes que a madeira batesse no fundo vazio. A lembrança pesava menos quando havia alguma coisa para esmagar. Na terceira noite, ele falou que o refrigerador ia trazer gente para o bar. Falou que eu devia cobrar gelo de quem tinha sede demais. E você cobrou. Cobrei. Luzia se mexeu sobre a esteira, sem acordar. Lá fora, uma lagartixa correu pela faixa quente junto à parede e parou perto da cisterna vazia. Antônio empurrou a farinha para uma tigela. Separou uma porção menor e deixou-a perto da fornalha. Ilva foi ao volume baixo. O espelho frio saiu envolto no tecido que protegia a tela da poeira. Antônio viu o aparelho sobre o balcão e apoiou as duas mãos no pilão. O segundo ensaio tem quanto tempo, perguntou. Quarenta e sete segundos. Ele assentiu. A garganta moveu uma vez. Ilva abriu o arquivo. A voz de Antônio veio mais nova do que o corpo sentado diante dela. Falava depressa, como quem grava escondido entre um serviço e outro. Dizia ao filho que o bar tinha ganhado um refrigerador, que talvez houvesse lugar para ele na hospedaria durante as férias, que Nael tinha pago uma parte e depois fingido que não. A gravação parou antes do nome. Antônio continuou olhando o pilão. A rachadura da borda chegava perto da base e terminava numa mancha escura, antiga de fumaça. Nael não sabia falar com menino, disse ele. Mas sabia fazer menino voltar para comer. Ilva fechou o arquivo. Esperou a ordem que agora cabia a ele pedir. Antônio pegou a farinha com as duas mãos, apesar dos dedos fechados, e levou a tigela para perto da fornalha. Derramou água medida sobre o milho. A massa ganhou corpo aos poucos, opaca, cheia de casca. Depois empurrou o espelho frio para Ilva. Ela guardou o aparelho no volume baixo sem abrir o terceiro ensaio. Antônio separou quatro porções da massa e deixou uma quinta no fundo da panela, coberta pela tampa de barro.
Energia e água
| Geração | 160.923 tokens em 11 chamadas ao modelo | medido |
|---|---|---|
| Água | ~322 ml na geração, 2 ml por mil tokens | estimado |
| Vídeo | 108 Wh só na placa de vídeo (3090) | medido na GPU |
| Tradução | 48.844 tokens na versão em inglês, Claude (Anthropic), automática | medido |
| Impressão | impressão, máquina e papel entram quando a página sair da impressora |