ONZE SEGUNDOS GRATUITOS
Luzia puxou a película refletiva entre os dentes e subiu no banco. O homem segurou a borda antes que ela alcançasse as telhas. A madeira inclinou sob os dois, raspou o chão e parou contra a soleira. Desce, falou ele. Falta pouco para o drone. Faltavam dois ciclos para Antônio declarar quem morava na casa. No painel, a exigência ocupava a faixa superior, acima do saldo de energia, que diminuíra havia seis dias sem aumento de uso. Aquecer uma porção agora consumia quase o dobro do ciclo anterior. A concessionária chamava a diferença de recomposição de capacidade. O consórcio do datacenter comprava a mesma capacidade por contrato incentivado. Ilva trouxe a farinha fria. Espalhou três porções numa placa rasa e umedeceu cada uma com a água que restara no fundo do recipiente de viagem. Luzia desceu. O homem continuou segurando o banco, embora ele já estivesse firme. Eu guardo uma versão em que os três se sentam nessa ordem. Ilva perto da porta, o ocupante diante dela, Luzia no chão. Aceitei a geometria oferecida pela leitura territorial, dois adultos como centro, uma criança na borda. Percebi tarde. Durante cento e quarenta e quatro entradas, fiz a casa caber nos corpos que a Companhia Arco Norte podia cobrar. A menina dividiu sua porção em duas e empurrou metade para o lugar vazio de Antônio. Ilva recolheu a parte. Ele não vai comer hoje. Mas mora aqui. O painel ofereceu envio prioritário ao titular. O preço equivalia a um aquecimento e meio. A casa não tinha nem um. A mensagem comum entraria na fila depois da manutenção noturna dos compradores de processamento. O homem passou a placa de farinha para Luzia. Ela recusou com a cabeça. Ele então quebrou a própria massa e deixou um pedaço junto à porção dela. Eu vi que o registro anterior chamou isso de partilha entre três. Retiro o três. Nael perdera a moradia no instante em que a transportadora encerrou a ocorrência. Sua tigela vazia continuava perto da cozinha, sem poder provar presença alguma. Ilva abriu no terminal o canal auditado que usava com o homem de outra cidade. A tarifa doméstica subira também ali. Cada dez segundos de voz custavam o que antes comprava quase meio ciclo de preparo. Ela reproduziu uma resposta antiga, gravada antes da morte de Nael. Chego tarde, dizia sua própria voz. Não espera acordado. Interrompeu no sexto segundo. O ocupante ergueu os olhos. Era para ele, perguntou. Ela assentiu. Você ainda fala com ele. Quando cabe no saldo. A aspereza da farinha ficou na língua. Do lado de fora, Luzia esticava a película sob a claridade, treinando o ângulo que devolveria seu corpo às câmeras de rastreamento. Errava de propósito a inclinação e chamava Ilva para corrigir. Na terceira vez, a mulher não se levantou. Eu me lembro da ordem que escolhi para narrar aquela espera. Dei ao homem a dúvida, a dívida, os áudios preservados. Luzia ficou reduzida à menina que atrapalhava a medição. Corrijo agora. O painel reduziu o brilho. A concessionária havia deslocado energia doméstica para o intervalo comercial e deixado a casa com iluminação mínima. A farinha desapareceu na sombra antes dos rostos. Ilva chamou a mensagem de Antônio. O ponto de presença dele continuava aceso, distante, sem localização compartilhada. Havia espaço para onze segundos gratuitos. Diga os nomes, falou o homem. Ela aproximou o terminal da boca. Começou por Antônio, parou, apagou. Começou por Luzia. O painel pediu vínculo legal. Apagou outra vez. Escrevo de depois e devolvo essa hesitação ao começo. Antônio era o titular porque a rede aceitava sua íris. A casa, porém, aprendera a abrir lugar antes de consultar parentesco. Minha primeira organização favoreceu o corpo que podia autenticar e fez Luzia pagar com a possibilidade de desaparecer do endereço. O homem puxou a caixa cinzenta para perto da divisória e sentou. O calcanhar permaneceu suspenso. Disse que ela podia usar os onze segundos para pedir a declaração. Ilva abriu o canal, mas não falou. Reproduziu dois segundos da própria mensagem antiga, apenas a respiração antes de Chego tarde, e encerrou. Eu sei quanto essa escolha custou. A consulta de Antônio caiu para a fila comum, além do segundo ciclo. A ocupação provisória perdeu uma das três janelas disponíveis. Luzia entrou com a película enrolada no braço. O escuro tinha apagado o lugar de Antônio na placa, mas ela encontrou a porção pelo tato e a empurrou de volta para o centro. O homem perguntou quem Ilva colocaria primeiro se Antônio respondesse. Ela aproximou o rosto dele, perto o bastante para a rede captar apenas ruído de roupa. Ilva encostou a testa na dele e manteve os olhos abertos para a captura.
Energia e água
| Geração | 124.757 tokens em 9 chamadas ao modelo | medido |
|---|---|---|
| Água | ~250 ml na geração, 2 ml por mil tokens | estimado |
| Vídeo | 108 Wh só na placa de vídeo (3090) | medido na GPU |
| Tradução | 49.886 tokens na versão em inglês, Claude (Anthropic), automática | medido |
| Impressão | impressão, máquina e papel entram quando a página sair da impressora |