2047: Arquivos do depois de antes
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CAPÍTULO 143 · PRÉVIA

QUADRADOS AZUIS NA POEIRA

Prévia, ainda não impresso

A tigela do homem tinha uma crosta de farinha presa ao fundo. Luzia raspou-a com a unha e empurrou o pó para o centro, onde caberia numa colher. Depois trouxe a tigela de Ilva, a de Antônio e uma quarta, guardada desde que a casa passara a contar mais bocas do que lugares para dormir. A enviada mantinha a haste suspensa diante dos pés da menina. A linha azul continuava projetada através do quintal e entrava pela cozinha, cortando a esteira onde o homem dormia. Medir depois da soleira bastaria para transformar o traçado proposto em continuidade técnica. Luzia recolheu as quatro tigelas. Vai comer, perguntou o homem. Vou pôr a casa no lugar. Ela dispôs a primeira junto à porta, a segunda perto do banco, a terceira ao lado da divisória. Levou a quarta até o quintal e a assentou sobre a linha luminosa. A haste reconheceu metal, recalculou a superfície e desviou a projeção alguns centímetros. Luzia acompanhou o desvio com outra tigela. A enviada baixou o braço. A faixa precisa permanecer desimpedida. Aqui fica a tigela de quem chega por último, respondeu Luzia. Antônio fizera assim durante anos. Quando o bar enchia, os recipientes ocupavam o balcão na ordem da fome, e quem chegava depois esperava sem perder a porção. Nael costumava deslocar o próprio lugar para perto da porta. Dizia que comia melhor vendo a estrada. Depois que a britagem crescera sobre o antigo campo de bola, a estrada passou a carregar mais minério do que gente, mas ele conservara a escolha. Ilva observou a distância entre as tigelas. A quarta estava longe demais da cozinha para pertencer à mesa e perto demais da raiz seca para ser esquecida. Luzia sabia disso. Errou a posição por quase um passo e ficou esperando que alguém corrigisse. O homem se levantou com cuidado. Recolheu a esteira do corredor e a levou para o quintal. O tecido tinha marcas retangulares deixadas pela caixa cinzenta e uma faixa mais escura onde o corpo dele passara as últimas noites. Estendeu-a sobre o traçado, entre a quarta tigela e a sombra estreita do murici. Você dorme fora agora, perguntou Ilva. Só até ela terminar de medir. Se você sair da cozinha, sobra lugar, disse Luzia. A frase pousou entre os três. O homem alisou a esteira uma vez, depois deixou uma dobra no lado em que costumava apoiar o calcanhar. A enviada consultou a superfície da haste. Objetos móveis seriam excluídos da leitura. Ocupação doméstica contínua exigiria permanência durante todo o ciclo de medição. Quanto dura, perguntou ele. Até a primeira luz. Ilva entrou na casa e voltou com a manta fina. Colocou-a sobre a esteira. A enviada respirou pela boca, vencida pelo calor parado sob o alpendre, e passou o polegar enfaixado na lateral da haste. Poderia aguardar. A operação pagava presença territorial por intervalo concluído. Luzia levou para fora a caneca de Antônio e a pôs junto à quarta tigela. Essa fica dentro, disse Ilva. Ele não está dentro. A menina buscou a tigela dela e completou uma curva ao redor da esteira. Faltava uma. Olhou para o recipiente vazio de preparo, depois para a cozinha. A divisão da casa sempre começava antes da comida. Cada pessoa recebia lugar, e só então se media o que havia. Naquele fim de tarde havia quatro recipientes, uma caneca e farinha suficiente para sujar a língua. A regra sobrevivera porque ninguém precisava concordar com ela. Bastava sentir a falta quando um lugar permanecia vazio. Ilva trouxe sua própria tigela. Em vez de fechar a curva, entregou-a ao homem. Escolhe onde põe. Ele segurou o metal contra o peito. Poderia colocá-lo perto da manta, confirmando a dormida no quintal, ou dentro da cozinha, onde o espaço improvisado ainda dependia da volta de Antônio. Ficou parado por tempo suficiente para a haste anunciar espera de leitura. Depois entrou, puxou a divisória alguns centímetros e deixou a tigela no chão, entre a bolsa dele e a tigela de Ilva. Luzia desfez a curva externa. Recolheu a manta, mas manteve a esteira atravessada sobre a linha azul. Quem dorme aqui, perguntou a enviada. Ninguém, respondeu a menina. Aqui a gente come quando cabe. A medição precisaria distinguir área de passagem de área usada pela casa. A mulher apoiou a haste no antebraço e aceitou esperar até a primeira luz. Sentou-se no degrau externo, fora da ordem das tigelas. Luzia repartiu a crosta de farinha em quatro porções. Uma ficou no recipiente de Antônio. As outras três mal cobriram o fundo. Ela comeu por último, raspando o metal com a língua.

Quando escureceu, a projeção azul permaneceu presa sob a esteira. Pelas fibras gastas, a luz subia em pequenos quadrados e tingia de azul a poeira da cozinha.

Energia e água

Geração228.949 tokens em 12 chamadas ao modelomedido
Água~458 ml na geração, 2 ml por mil tokensestimado
Vídeo109 Wh só na placa de vídeo (3090)medido na GPU
Tradução48.721 tokens na versão em inglês, Claude (Anthropic), automáticamedido
Impressãoimpressão, máquina e papel entram quando a página sair da impressora
Como a conta é feita ↗