A HASTE DE LEITURA
Não ponha meu quintal na venda, disse Luzia, antes que a enviada da operação alcançasse o alpendre. A mulher trazia uma haste de leitura presa ao antebraço e mancava do pé esquerdo. Tinha a palma aberta por um corte recente, feito na malha da poligonal, e segurava a mão fechada para não deixar sangue cair no sensor de solo. Parou diante da sombra das telhas, onde a fruta amassada de Nael começava a atrair moscas pequenas. Vim pela atualização territorial, falou. A Companhia Arco Norte está reunindo faixas para investimento hídrico. O ocupante estava sentado no banco baixo, com a membrana escura aparecendo acima do sapato. Olhou para a mão dela e depois para a torneira. A casa recebera água reduzida durante a noite. Restavam três dedos no recipiente de preparo, guardados para lavar o calcanhar dele antes que a pele rachasse outra vez. Ilva abriu o recipiente e separou a água em três tampas fundas. Uma para remover a poeira da palma. Outra para tirar o sangue preso nos vincos. A terceira para molhar a película de vedação que sobrara do anel adaptado, cortada em faixa estreita. A enviada acompanhou sem agradecer. O corte atravessava a base do polegar, onde a haste exigiria contato corporal para medir o terreno. Segura aqui, disse Ilva. A mulher estendeu a mão. Ilva passou a película sobre a ferida, apertou a volta com uma tira de tecido arrancada da barra interna da própria camisa e deu dois nós. A água acabou antes de limpar a poeira sob as unhas. O ocupante recolocou a tampa no recipiente vazio e puxou a perna ferida para baixo do banco. Luzia agachou perto da fruta. Tentou repetir a voz da enviada, achatando as palavras como quem lê painel. Atualização territorial. Investimento hídrico. A segunda saiu tão grave que ela riu sozinha. Uma lagartixa correu pela viga do alpendre, perdeu a aderência e caiu dentro da tigela vazia de Nael. Ficou imóvel por um instante, depois escalou a borda e sumiu atrás da divisória. A enviada ativou a haste com a íris. Uma malha azul apareceu sobre o chão, atravessando o alpendre, a sombra das telhas, o armário de serviço e a raiz seca do pequi morto. A tela chamou aquilo de faixa de compensação territorial. O nome ocupava quase toda a projeção. Abaixo dele, uma linha menor oferecia preferência de permanência aos moradores que aceitassem a integração hídrica. Quem compra, perguntou o ocupante. A mulher virou o rosto para o painel da rua. O corte enfaixado deixara uma mancha escura no tecido. A titularidade fica em volume protegido, respondeu. O uso é estratégico. Ilva viu a faixa azul atravessar a casa onde Nael dormira no corredor. A proposta marcava o quintal como área de passagem técnica para o datacenter. A água prometida ao investidor entrava ali como direito antecipado. A torneira da vila baixa continuava tendo de esperar o ciclo. O painel doméstico abriu uma notificação sem som. As três unidades devidas pelo ocupante permaneciam vinculadas ao corpo dele, mas a resposta exigida para aquele ciclo mudara de nome. Consulta territorial pendente. A enviada aproximou a haste da soleira. Preciso medir a continuidade do lote, disse. Luzia ficou na frente da fruta de Nael. O ocupante tentou se levantar e o calcanhar cedeu dentro do sapato.
Ilva segurou o antebraço dele antes que caísse, depois soltou a mão enfaixada quando a dor abriu o corte de novo. A enviada esperou. No quintal, a haste projetava uma linha azul até a raiz morta. Luzia colocou os dois pés sobre ela.
Energia e água
| Geração | 207.555 tokens em 10 chamadas ao modelo | medido |
|---|---|---|
| Água | ~415 ml na geração, 2 ml por mil tokens | estimado |
| Vídeo | 108 Wh só na placa de vídeo (3090) | medido na GPU |
| Tradução | 50.169 tokens na versão em inglês, Claude (Anthropic), automática | medido |
| Impressão | impressão, máquina e papel entram quando a página sair da impressora |