O PENTE NA TRANÇA
Luzia sacudia a farinha contaminada sobre o capim quando Ilva pegou o pente. As lagartas já haviam deixado sulcos na massa, e os grumos caíam entre as folhas em pedaços menores que uma refeição. A menina virou a cabeça. Devagar, falou. Senta, respondeu Ilva. Luzia se acomodou no degrau do alpendre, entre as pernas dela. O cabelo trazia poeira da porta do refrigerador, fibra da esteira e um fio prateado arrancado da cobertura. Ilva separou três mechas com a mão boa. A outra sustentava o pente sem fechar por inteiro. Você sabe fazer, perguntou Luzia. Se ficar torto, foi você que mexeu. A menina riu. Disse que Nael fazia duas tranças diferentes, uma apertada e outra frouxa, porque esquecia em qual lado tinha começado. Ilva puxou a primeira mecha. Luzia reclamou antes de doer, depois reclamou que não doera o bastante. O homem, sentado à entrada da cozinha, sugeriu cortar tudo rente. Corta o seu, respondeu ela. Ele passou a mão pelo próprio cabelo, avaliando a ameaça, e recuou para trás da divisória. Luzia riu outra vez, com os ombros pulando entre as pernas de Ilva. Durante alguns minutos, a casa teve apenas dentes faltando, cabelo embaraçado e uma farinha que ninguém comeria. A declaração sugerida continuava aberta na projeção doméstica. A voz fabricada com resíduos de Antônio repetiu o aviso uma vez, depois calou. Restavam sete minutos. Dois nomes reconhecidos, uma presença condicional. Luzia acompanhou a trança pelo tato. Vai aceitar ele, perguntou. Vou manter a casa. Perguntei dele. Ilva apertou demais uma mecha. A menina levou a mão à raiz do cabelo, mas não saiu do lugar. Pergunta à casa, disse Ilva. Isso a casa já sabe. O pente parou. Lá fora, o murici soltou uma folha comida pela metade. A mineração ressoava além das últimas casas, três batidas espaçadas, indiferentes à intimidade que ajudara a apertar naquele degrau. Quando Antônio voltar, você vai mandar ele embora, perguntou Luzia. Quem decide é Antônio. Então me acorda. Ilva retomou a trança. Mesmo se for de madrugada, continuou a menina. Mesmo se eu estiver na janela da água. Me chama pelo nome, pediu Luzia. A última mecha ficou mais curta que as outras. Ilva desfez dois cruzamentos e refez ambos sem responder. Depois arrancou um fio da própria faixa, prendeu a ponta da trança e tocou com o antebraço a confirmação projetada. A casa conservou os dois moradores reconhecidos e recebeu o homem como presença condicional. O prazo de Antônio terminou. A palavra condicional piscou uma vez junto ao contorno dele. Ilva fechou a projeção. O homem ouviu o som do encerramento atrás da divisória, mas ficou onde estava. Luzia apalpou a trança. Ficou torta. Você mexeu. Mentira. As duas sorriram sem se olhar. Ao escurecer, Luzia estendeu sua esteira perto da entrada, onde qualquer retorno teria de passar por seus pés. Ilva trouxe a própria manta e deitou ao lado dela. Quando a menina adormeceu, enrolou dois dedos na faixa úmida da mão de Ilva. A mulher permaneceu acordada, com o braço preso naquela pequena força.
Energia e água
| Geração | 95.996 tokens em 6 chamadas ao modelo | medido |
|---|---|---|
| Água | ~192 ml na geração, 2 ml por mil tokens | estimado |
| Vídeo | 108 Wh só na placa de vídeo (3090) | medido na GPU |
| Tradução | 49.701 tokens na versão em inglês, Claude (Anthropic), automática | medido |
| Impressão | impressão, máquina e papel entram quando a página sair da impressora |