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CAPÍTULO 140 · PRÉVIA

A FRUTA NA TELHA

Prévia, ainda não impresso

O painel doméstico acendeu sobre a parede caiada em três faixas curtas. Recalibração de tarifa. Consumo técnico prioritário. Aceite até o escurecer. Luzia leu as palavras em voz baixa, deixando prioridade por último, como se pudesse atrasá-la. A casa cheirava a farinha aquecida demais e à poeira que entrava pelas frestas do alpendre. Do quintal, vinha o ruído seco de uma cigarra escondida no murici. As folhas da árvore tinham pequenas bordas amarelas, queimadas pelo vapor que as torres do datacenter empurravam acima da vila. Ilva pôs a bolsa de isolamento sobre a mesa. A sandália de Nael e a fruta amassada ficaram entre a tigela vazia dele e a caneca de Luzia. O ocupante saiu do corredor apoiando o peso na perna boa. Olhou o painel sem se aproximar. A concessionária aumentou a tarifa de estabilidade, disse Luzia. Quer duas unidades de preparo da casa para manter o pulso de água. A tela abriu a consequência abaixo. Sem aceite, a linha doméstica entraria em espera até o próximo ciclo. Na faixa superior, o consumo da operação mineral correu em azul contínuo. Ilva tocou a borda da bolsa. Não tem duas unidades, falou o homem. Tem uma, disse Luzia. A outra já foi comida. Ele sentou no banco perto da porta. A caixa cinzenta permanecia sob a rede do corredor, esquecida como um peso que ninguém podia vender. Do lado de fora, uma formiga atravessou a soleira carregando uma asa translúcida, grande demais para o corpo. Parou junto à parede, mudou de rumo e desapareceu sob a placa do armário de serviço. Ilva viu o caminho dela. Atrás da placa, o anel adaptado segurava a linha doméstica sem inspeção. A terra em volta tinha endurecido desde o meio-dia. Quando o tubo esquentava, a junção dilatava e a borracha improvisada cedia um pouco. A água não aparecia no chão. Entrava no pó. Ela puxou a placa com cuidado. O homem se abaixou ao lado, sem perguntar se podia. A fresta revelou uma faixa úmida, estreita como um dedo. Ainda está perdendo, disse ele. A suspensão dela mantinha seu acesso de intervenção fechado. O painel reconheceria qualquer contato como violação de custódia. Mas o barro seco não precisava de autorização para rachar. Luzia trouxe uma tigela com o resto da água usada para lavar as folhas de pequi. Havia areia no fundo. Isso não serve para beber, falou. Serve para o barro, disse Ilva. O homem olhou para a tigela e depois para a notificação. Restavam trinta e dois minutos para o aceite. Ele levantou a placa inteira, apoiando-a na parede. Ilva misturou a terra fina da soleira à água turva. A massa ficou escura e granulada. Ela não tocou no anel. Cobriu o tubo exposto, fazendo uma lombada baixa contra o sol que ainda batia na fachada. Ele trouxe duas telhas antigas do fundo do quintal, onde tinham servido de apoio para vasos que já não recebiam muda. Arrastou-as até a placa e armou uma sombra sobre a junção. A cigarra calou quando a primeira telha raspou a cal. Luzia contou o tempo até o barro parar de escorrer. Um, dois, três, quatro, cinco. No seis, ela voltou ao painel. O aceite precisa de alguém da casa, disse. Antônio está fora. Ilva não pode. O homem ficou de pé diante da projeção. O rosto dele apareceu reduzido na superfície, atravessado por linhas de consumo. A concessionária oferecia uma alternativa. Ele poderia assumir as duas unidades em seu vínculo de ocupante, com cobrança ligada ao corpo e à volta de Antônio. Em troca, a água seguiria chegando na frequência reduzida. Ilva abriu a bolsa de isolamento e tirou a fruta de Nael. A casca tinha cedido onde o peso da bandeja a esmagara. Ela colocou a fruta sobre a telha mais baixa, perto da sombra recém-feita.

Você não precisa entrar nisso, ela disse. Ele olhou para a sandália dentro da bolsa. Depois para a parede onde o barro começava a firmar. Pode pôr. Encostou a palma no campo de aceite. A luz leu sua presença, transferiu a cobrança e apagou a ameaça de espera. A casa perdeu a última unidade de preparo noturno. A linha ganhou um ciclo de água. Luzia levou a tigela vazia para dentro. Ilva fechou a bolsa, prendeu-a junto ao corpo e caminhou até o alpendre. O homem ficou atrás dela, segurando a placa para que a sombra não saísse do anel.

Energia e água

Geração86.465 tokens em 5 chamadas ao modelomedido
Água~173 ml na geração, 2 ml por mil tokensestimado
Vídeo108 Wh só na placa de vídeo (3090)medido na GPU
Tradução48.208 tokens na versão em inglês, Claude (Anthropic), automáticamedido
Impressãoimpressão, máquina e papel entram quando a página sair da impressora
Como a conta é feita ↗